domingo, 10 de julho de 2011

Artigo de Opinião - Capitões da areia

Artigo de Opinião sobre o Livro “Capitães da Areia”
Nome do autor: Jorge Amado
Título da obra: Capitães da Areia
Nome da editora: Livraria Martins Editora
Data da publicação: 1963
Numero de páginas: 300
Breve bibliografia de Jorge Amado
Jorge Amado nasceu em 1912 na Bahia, o local usado em muitas de suas obras. Sendo um dos representantes do ciclo romance baiano, é um dos romancistas brasileiros mais lidos no mundo, tendo seus livros traduzidos para diversos idiomas. Seus livros têm em sua maioria personagens humildes, como plantadores de cacau, pescadores ou até mesmo meninos abandonados, retratando a sociedade e as dificuldades que esses personagens sofrem com a diferença de classes, criticando a sociedade sobre esses aspectos. Jorge morreu em Salvador em 2001, deixando um acervo de mais de 40 livros publicados, dentre eles podemos constar: O País do Carnaval, Cacau, Jubiabá, Terras do Sem fim, A Morte e a Morte de Quincas Berro d´Água, Seara Vermelha, O Cavaleiro da Esperança, O Mundo da Paz, Os Subterrâneos da Liberdade, Gabriela, Cravo e Canela, Suor, Mar Morto, Capitães de Areia, São Jorge dos Ilhéus, Os Velhos Marinheiros, Os Pastores da Noite, Dona Flor e seus Dois Maridos, ABC de Castro Alves, O Amor do Soldado, Bahia de Todos os Santos, A Estrada do Mar, Tereza Batista Cansada de Guerra, Tieta do Agreste, Farda Fardão e Camisola de Dormir.
http://www.suapesquisa.com/jorgeamado/
Artigo de opinião
Capitães de Areia retrata a Bahia dos anos 30, onde um grupo de crianças abandonadas, os Capitães da Areia, vivem e fazem de tudo para sobreviver, desde pequenos roubos de comida até grandes armações para invadir e roubar as casas mais luxuosas da cidade.
Nos primeiros capítulos, o livro nos introduz seus principais personagens, começando pelo líder dos Capitães, Pedro Bala, um menino filho de um doqueiro que morreu em uma greve. Pedro está nas ruas dede os seus cinco anos, e é muito admirado pelos outros membros dos Capitães, sendo um líder nato. Os outros personagens principais, como Gato, Pirulito, Boa Vida, Sem-Perna, Volta Seca, Professor e João Grande são apresentados nos capítulos seguintes, tendo um pouco de sua história e de como eles foram parar nas ruas e como viraram um membro dos Capitães.
Esses meninos são crianças que tiveram que virar homens muito rapidamente, para poderem sobreviver nas ruas, privados de toda magia da infância e de todos os carinhos maternos e paternos, são crianças que viraram homens com certo rancor e carência de uma real infância, e de vez em vez essa falta de afeto e a lembrança de que ainda são crianças vem à tona, como no carrossel em que dois dos Capitães vão trabalhar, e em recompensa levam os outros do grupo para darem uma volta do carrossel, relembrando-os como é ter uma infância.
Em meio a hormônios masculinos e conversas de “homens”, as únicas relações com mulheres que os Capitães da Areia tem são as mulheres que eles “derrubam” no areal, ou seja, meras mulheres usadas para satisfazer os desejos sexuais deles, nada mais.
Em certa altura do livro somos apresentados ao mais novo membro dos capitães, Dora, uma menina cuja mãe, que já era solteira, morreu de varíola, deixando ela e seu pequeno irmão sozinhos no mundo. Depois de ser convidada a ir dormis no trapiche por uma noite por alguns capitães e de quase ser estuprada por outros, ela se junta ao grupo, se tornando um deles.
Dora passa a ser a figura feminina que faltava no grupo, que os meninos, pobres de afeto precisavam. Ela se torna mãe de uns, irmã de outros, e noiva, dando o afeto que faltou na infância dos meninos. Ela, a meu ver, representa a estrutura familiar e o afeto, ela é o elo que passa a ligar os Capitães, sendo mais que apenas um membro do grupo. É quando ela chega que a real carência parece no grupo, onde podemos ver o verdadeiro estado emocional em que os Capitães de encontram. Ela vira um ícone de adoração, sendo comparada com mulheres como Rosa Palmeirão e Maria Cabaçu, tanta a importância que ela tinha. Quando ela fica adoece e eventualmente morre as coisas começam a mudar do trapiche, primeiro é a saída do Professor, pois não aguentava mais ficar naquele local que relembrava sua amada Dora, e logo depois, um a um, os principais Capitães vão seguindo seu rumo, alguns até saindo da cidade de Salvador.
Dora é o afeto, a maternidade e o amor que faltavam para os meninos do deque materializados em uma pessoa, que os acolheu com esse carinho e amor, dando-os o que um pai ou uma mãe não os pode dar, ela simboliza as relações familiares e as usas importâncias, sendo que quando esse afeto materializado em pessoa desaparece, desestabiliza o grupo, como desestabilizaria uma família, se o afeto e amor entre os membros da mesma desaparecesse.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Um breve adeus


________,
Pelo que você me conhece pelo que já passamos juntas, você já deve saber o meu estado emocional, ainda mais escrevendo essa carta, uma carta de um “adeus” provisório, mas lá vai...
(espero que não fique uma carta clichê...).
_____, minha pequena -ou não mais-, um ano longe de você, nossa, achei que isso só iria acontecer nos meus sonhos mais remotos quando entrássemos na faculdade, pois penso assim desde a 5ª série, o ano em que nos tornamos amigas. Nunca pensei que seria tão difícil escrever algo para essa ocasião, e o que já vivenciamos não cabe e nunca caberá em um mero pedaço de papel com meras letras nele, pois o que passamos juntas foi algo inesquecível e inapagável, mas posso tentar, apenas tentar, expressar o que estou sentindo com nossa “separação”.
Um ano pode parecer muito, pois é muito, tente contar quantas memórias construímos, juntas, em apenas um ano... Impossível, né?! Mas esse ano será diferente, pois as memorias que iremos construir serão memórias de um mundo novo, uma vida nova, e, infelizmente (e felizmente, ao mesmo tempo) serão memorias com outras pessoas, que por hora são desconhecidas, mas sem nos esquecermos da nossa vidinha aqui no Brasil, ok?! Quando esse “novo” ano acabar, e nós voltarmos para nossas antigas vidas, tudo será igual, pois não será um ano longe que fará nossa amizade mudar, mês será diferente, pois estaremos um ano mais velhas, um ano mudadas pela nova experiência, um ano mais maduras, e um ano a mais de amizade com você, e pretendo, os meus 90 anos, perder a conta de quantos anos estamos presentes uma na vida da outra.
Mas por hora, ainda que somos jovens, devemos e podemos aproveitar o tempo que nos resta de colégio, da convivência quase que diária -quando não diária- e desfrutar de momentos como os que estão hoje registrados na minha escada, esperando por novas aventuras.
As lagrimas caem uma por uma (ou dúzia por dúzia), mas não são lágrimas de uma tristeza permanente, pois esse adeus não será permanente, e espero que o adeus permanente, nunca chegue.

sábado, 21 de maio de 2011

Mascaras da ignorância v2


“Ser ou não ser, eis a questão”, ou seria “Ter ou não ter, eis a questão”?
Hoje me dia, não importa mais o que a pessoa é, e sim o que ela tem. A sociedade se tornou tão consumista que a questão do “ser” para um indivíduo se tornou tão banal como comprar um celular novo. A importância do “ser” se perdeu com o tempo, em meio a guerras econômicas e de poder, e isso foi tão grave, que hoje em dia uma pessoa é pelo que ela tem em material, e não em conteúdo.
Hoje, é muito mais fácil uma pessoa subir em um palco e relatar e mostrar todas as suas fortunas matérias, como casas, apartamentos e aparelhos eletrônicos, ou ainda apenas pelo celular, do que subir em um palco e falar tudo o que se tem de conhecimento, todas as suas fortunas não materiais.
Isso aconteceu, pois a sociedade fechou os olhos das pessoas para esse enorme problema, onde o “ser” não é nada mais do que algo que se tem.
Os indivíduos viraram bonecos nas mãos dos produtos, compulsivos e obsessivos pela aparência externa, pelo brilho dos diamantes, que são banhados em sangue escravos, tornando-se mais brilhante ainda, aos olhos de nossas mascaras. E cada vez mais as mascaras se tornam confortáveis para nós, pois é muito mais fácil ser julgado e julgas pelo que se tem.
Ter e não ser, essa é a questão.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Simples e pequenos, poderosos e essenciais


É um não contentar-se com o presente que nos enche de desejo de mudança. Um desejo tão forte e caloroso que nos possui de dentro para fora, corroendo nossas entranhas e nos impulsionando a fazer coisas que geralmente não fazemos.
Nossas ações têm reações no mundo em que vivemos, o meio que vivemos é apenas um reflexo do que somos.
Eu, particularmente, não estou apta a fazer o que pretendo. Todas as minhas pretensões e desejos de esvaiam da minha mente, dando lugar a incerteza e indecisão.
Sempre sonhei em fazer a diferença no mundo, ou de fazer a diferença apenas para uma pessoa já estaria bom, algo que eu pudesse me orgulhar, que pudesse olhar para trás quando fosse mais velha e sentir a mesma gratidão que senti ao fazer o que fiz. Fazer algo que me faça ser reconhecida e lembrada, mas não é tão simples assim.
Com toda a frustração da minha fraqueza, um pensamento me vem a mente.
“Não é preciso fazer atos heroicos para fazer a diferença, basta uma mão estendida para levantar um desconhecido caído, ou ate mesmo um simples sorriso para alguém que esteja passando na rua. São esses pequenos e simples gestos do cotidiano que nos fazem os verdadeiros heróis”.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Mascaras da ignorância



“Ser ou não ser, eis a questão”, ou seria “Ter ou não ter, eis a questão”?
Hoje me dia, não importa mais o que a pessoa é, e sim o que ela tem. A sociedade se tornou tão consumista que a questão do “ser” para um individuo se tornou tão banal como comprar um celular novo. A importância do “ser” se perdeu com o tempo, em meio a guerras econômicas e de poder, e isso foi tão grave, que hoje em dia uma pessoa é pelo que ela tem em material, e não em conteúdo.
Hoje me dia, é muito mais fácil você subir em um palco e relatar e mostrar todas as suas fortunas matérias, como casas, apartamentos e aparelhos eletrônicos, ou ainda apenas pelo celular, do que subir em um palco e falar tudo o que se tem de conhecimento, todas as suas fortunas não materiais.
Hoje, a vida é como se fosse uma peça de teatro, onde os atores e atrizes são as pessoas, o palco, as cidades, e o enredo, o dinheiro. Todos andam com suas mascaras luxuosas e enfeitadas, que as cegam para o mais importante da vida, exibindo apenas aquilo que é externo, e nunca deixando o interno vir à tona.
Viramos bonecos nas mãos dos produtos, compulsivos e obsessivos pela aparência externa, pelo brilho dos diamantes, que são banhados em sangue escravos, o que acaba tornando-o mais brilhante ainda, aos olhos de nossas mascaras. E cada vez mais as mascaras se tornam mais confortáveis para nós, pois é muito mais fácil ser julgado e julgas pelo que se tem.
Como chegamos a esse ponto, em que precisamos andar mascarados, escondidos por detrás dos brincos de ouro e das roupas de grife, mesmo que isso seja o oposto do que estamos pensando? Como que as unhas bem feitas foram parar na frente das unhas desgastadas das pessoas trabalhadoras?
Isso não pode estar certo, deve ter algo de errado, como que isso tudo parece algo tão normal pelos olhos de muitos, e tão errado pelos olhos de poucos? Isso deve ser por que essas pessoas que abandonaram o seu lado “ter”, que deixaram suas mascaras caírem puderam ver com seus próprios olhos, e não por uma lente objetiva de uma câmera cara, a verdadeira situação em que estamos, no caos existencial que estamos passando, onde o “ser” não é nada mais do que algo que não temos.
Ter e não ser, essa é a questão.